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6 mar 2008

Marcos Sorrentino nos envía hoy 6 de marzo esta importante información a los educadores ambientales de latinoamerica.

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Aos Educadores e Educadoras Ambientais da América Latina e Caribe,

Península Ibérica e Países de Língua Portuguesa


O Foro de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe, como principal foro político intergovernamental regional, aprovou na sua XVI Reunião a Decisão 1, que diz respeito a implementação da Iniciativa Latino Americana e Caribenha para o Desenvolvimento Sustentável (ILAC), onde foi incluída a Educação Ambiental entre as suas 11 prioridades de ação nos próximos quatro anos (Anexo 1). Além disso, a Decisão 11 responsabilizou o Brasil para dar seguimento às atividades de coordenação do Programa Latino-Americano e Caribenho de Educação Ambiental ? PLACEA durante o biênio 2008-2009 (Anexo 1). Dentro de uma perspectiva de rodízio na condução do PLACEA tivemos o apoio dos representantes dos governos da Venezuela e Argentina para assumir tal responsabilidade.

O PLACEA vem sendo desenvolvido nos últimos sete anos por iniciativa dos organizadores e participantes dos Congressos Ibero-Americanos de Educação Ambiental, capitaneado pelo governo da Venezuela. Desde 2005 o PLACEA se tornou oficialmente uma responsabilidade compartilhada pelos Ministros de Meio Ambiente da região, vinculado a implementação da ILAC.

Um dos instrumentos do Foro de Ministros para a efetiva implementação de suas decisões, em especial para a implementação da ILAC, são os grupos de trabalho, cujo funcionamento foi revisto recentemente pela Decisão 4, em que foi estabelecido o Grupo de Trabalho de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (Anexo 1). Entendemos que o GT deveria ter um caráter de suporte operativo para a implementação do PLACEA e portanto deveria ser composto por um número reduzido de países que possam agilizar a viabilização do Programa em cada sub-região.

A primeira proposta que encaminhamos aos pontos focais da Rede de Formação Ambiental do PNUMA e aos educadores e educadoras ambientais da região, no sentido da revitalização do PLACEA, encontra-se no Anexo 2 e foi muito útil para os nossos diálogos em Santo Domingo. Nas próximas semanas será encaminhado aos governos dos países da região uma proposta de matriz de prioridades para o funcionamento do Grupo de Trabalho de Educação para o Desenvolvimento Sustentável com foco na implementação do PLACEA.

A educação ambiental ainda tem presença marginal nos governos da região, haja visto os orçamentos, o tamanho das equipes e a ausência de políticas e programas nacionais de educação ambiental na maioria dos países, mesmo considerando a sua importância para o enfrentamento das mudanças socioambientais globais. Isto nos obriga a assumir uma enorme responsabilidade no sentido de reverter este quadro.

Estamos planejando a realização de uma reunião com os pontos focais da educação ambiental de todos os países, a ser realizada ainda no primeiro semestre de 2008, para detalharmos o Plano de Ação Regional do PLACEA. Mais informações sobre essa reunião serão divulgadas em breve. A idéia é que este Plano circule nas redes e demais instâncias de interlocução da educação ambiental dos países da região. Temos a intenção de ampliar a rede de pontos focais dos países e trabalharemos com essa orientação durante o período de nossa coordenação no sentido de envolver os Ministérios de Educação e uma representação da sociedade civil.

Temos que debater muitas coisas, antes de nos reunirmos para tomar decisões. Apontamos abaixo seis pontos, para iniciarmos a conversa:

O primeiro deles é sobre a necessidade de dar organicidade para as diversas iniciativas relacionadas a educação ambiental na América Latina e Caribe, Península Ibérica e Países de Língua Portuguesa ? por exemplo entre a Rede de Formação Ambiental do PNUMA e o seu Fundo Fiduciário, o PLACEA e o GT de Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável do Foro de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe, os Congressos Ibero-Americanos de EA, entre outras. Nesse sentido, existem questões a serem superadas: estes Congressos não incluem os países de língua inglesa do Caribe e incluem a Península Ibérica; o GT de EA do Foro de Ministros, a Rede de Formação do PNUMA e o PLACEA incluem formalmente os países do Caribe, mas na prática os isola por quase não praticar a língua inglesa em seus encontros, publicações e comunicações informais. Os países de língua portuguesa (cinco africanos e um asiático, além de Portugal e Brasil) começaram a desenvolver uma importante integração que poderia nos auxiliar a penetrar com esta perspectiva latino-americana de EA em todo continente Africano, auxiliando-nos a resgatar uma dívida histórica presente também em praticamente toda América Latina, Caribe, Portugal e Espanha, apesar de serem realidades culturais muito distantes. Enfim este é um ponto de debate que puxa outro.

O da língua para a nossa comunicação. Estamos cientes das dificuldades que existem para muitos dos nossos companheiros e companheiras em acompanhar longos comunicados em português. Consultamos os leitores deste texto se podemos fazer pequenos e rápidos comunicados em português e para textos maiores (como este) podemos fazê-lo em portunhol ou quando mais oficial, nas três línguas. O Sr. Ricardo Sanchez, afirmou em tom de brincadeira, em plenária do Foro de Ministros, que a primeira iniciativa do GT de EA deveria ser um curso de espanhol para os seus participantes. Consideramos interessante a idéia do PNUMA facilitar o acesso a cursos de espanhol, português e inglês aos participantes de todas as articulações internacionais de EA ou pelo menos financiar a tradução de todos os materiais.

O terceiro ponto é o de definirmos se queremos entrar no debate internacional da EA, procurando dar visibilidade a EA Latino-Americana no contexto da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável e de outras iniciativas relacionadas às mudanças socioambientais globais ou se vamos circunscrever a nossa atuação aos países mencionados anteriormente (da América Latina, Caribe, Península Ibérica, países lusófonos), ou a parte deles.

Em nosso ponto de vista, perdemos boas oportunidades no V Congresso Ibero-Americano de EA, no I Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países Lusófonos e Galícia e na 4a Conferência Internacional de EA (Tibilsi+30), em Ahmedabad, de lançarmos a proposta de um Manifesto Planetário pela EA ou uma Declaração Universal pelos Direitos à EA, que re-colocasse o diálogo sobre o papel transformador, crítico e emancipatório da EA, para além de nossas fronteiras (em cada país e no continente) e não devemos perder essa oportunidade no VI Congresso Ibero-americano de EA.

O quarto ponto é sobre as nossas instâncias de articulação e tomada de decisão. Quais são? Quem decide?

O quinto é sobre o VI Congresso Ibero-Americano, na Argentina. Avançamos na primeira conversa com Pablo Mesa, que será o responsável por coordenar a organização do evento e ele tem propostas boas de forma e conteúdo para o evento.

O sexto, é sobre a elaboração de um Plano de Ação Regional e/ou Sub-regionais para o PLACEA. Os anexos fazem algumas provocações neste sentido, o próprio PLACEA deve ser re-visitado para avivarmos a memória (seguem no Anexo 3 alguns documentos de referência do PLACEA em português e espanhol, sendo que já estamos articulando com o PNUMA a tradução para o inglês). Também contribuem para essa revisitação as experiências de regionalização do PANACEA e do Centro de Saberes e Cuidados Ambientais de La Cuenca del Plata. As correspondências nas listas eletrônicas estão repletas de propostas e também devem ser analisadas para o aprofundamento dos debates.


Por fim, precisamos nos estruturar como coordenação e secretaria executiva deste diálogo à distância e facilitadores também das aproximações presenciais. Indicamos o endereço eletrônico para recebermos as correspondências referentes ao PLACEA: placea@mma.gov.br. Acreditamos que as propostas de blog ou lista também são importantes.

Por fim, aceitamos todas as sugestões, críticas e colaborações para que possamos corresponder às demandas colocadas pela conjuntura planetária e por nossas expectativas de tornar a EA cada vez mais presente em nossos países e na vida de cada pessoa.


Saludos fraternos,


Marcos Sorrentino

Diretor do Departamento de Educação Ambiental

Ministério de Meio Ambiente do Brasil

29 ene 2008

Ahmadabad – 21 de enero

Producto de la inminencia del inicio del XVI Foro de Ministros de América Latina y el Caribe (Santo Domingo, República Dominicana del 27 de enero al 01 de febrero) Marcos Sorrentino de Brasil nos envía la propuesta de fortalecimiento del Programa Latinoamericano y Caribeño de Educación Ambiental (PLACEA) que Brasil lleva al mencionado Foro.

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Estimados(as) Amigos(as),

Encaminhamos a vocês a mensagem abaixo, que foi enviada aos responsáveis pela educação ambiental nos Ministérios de Ambiente da América Latina e Caribe, a respeito da revitalização do PLACEA.

Gostaríamos de conhecer a opinião e posição dos educadores e educadoras ambientais ibero-latino-americanos(as) e caribenhos a respeito desta proposição.
Saludos,

Marcos

Estimados(as) Educadores(as) Ambientais Latino-Americanos(as) e Caribenhos(as),
Fruto de articulações iniciadas em 1992 entre educadores(as) ambientais, o lançamento em 2005 do Programa Latino-americano e Caribenho de Educação Ambiental (PLACEA), na XV Reunião do Foro de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe, representou um marco histórico e referencial na região, além da esperança de concertação e integração regional, pautada por valores, princípios, objetivos e estratégias de ação, em que a identidade e diversidade latino-americanas foram reconhecidas e valorizadas, somando-se à Iniciativa Latino-americana e Caribenha para o Desenvolvimento Sustentável (ILAC).

A relevância do PLACEA e os esforços iniciais da República Bolivariana da Venezuela para sua implementação exigem que suas conquistas sejam consolidadas, principalmente no que diz respeito à legitimação política e ao intercâmbio e cooperação regional. Muitas ações tem sido desenvolvidas no âmbito de cada país e mesmo conjuntamente por alguns países, sem que, no entanto, haja uma interlocução regional ampla como a proposta pelo PLACEA.


Na 4ª Conferência Internacional de Educação Ambiental, em Ahmedabad, Índia, foi amplamente ressaltado o papel urgente da educação ambiental para o enfrentamento das mudanças ambientais globais, no marco da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, instituída pelas Nações Unidas. A identidade e experiência latino-americana da educação ambiental, com forte componente social e emancipatório, pode potencializar e qualificar a educação para o desenvolvimento sustentável proposta pela Década.

Nesta Conferência foi possível também reconhecer a ínfima presença de representantes de países da América Latina e Caribe. Esse fato pode ser um indicador da fragilidade regional latino-americana e caribenha para a participação e posicionamento em espaços internacionais de interlocução, nos fazendo refletir sobre quais os desafios que contribuem para isso e quais os caminhos poderíamos propor para enfrentá-los.

O caminho que nos parece dos mais relevantes para superar esse cenário é a reafirmação do PLACEA. Nesse sentido, gostaríamos de afirmar o interesse e disposição do Órgão Gestor da PNEA do Brasil em contribuir solidariamente com esse processo de fortalecimento regional nos colocando à disposição para participar da coordenação do próximo período de gestão do PLACEA, entre 2008 e 2010.

A implementação descentralizada e participativa da Política e do Programa Nacional de Educação Ambiental, que levou atualmente a proposição do Sistema Nacional de Educação Ambiental; a experiência adquirida com o desenvolvimento de conexões com os países africanos de língua portuguesa; a organização da quinta edição do Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, que abrigou a 2ª Reunião de Especialistas em Gestão Pública da Educação Ambiental na América Latina e Caribe; e a participação em eventos e espaços internacionais de recomendação e tomada de decisão na área das políticas ambientais e da educação ambiental nos motivam a essa contribuição na coordenação do PLACEA.

É importante salientar ainda outros importantes elementos a considerar: a continuidade política do governo Lula, que se encontra no início do segundo mandato que prossegue até 2010, a diretriz da política externa brasileira que prioriza o fortalecimento das relações na América Latina e Caribe, e o apoio político dos Ministérios do Meio Ambiente, da Educação e das Relações Exteriores para o fortalecimento do PLACEA.

A proposta brasileira para a coordenação do PLACEA no período 2008-2010, além evidentemente de envolver o diálogo democrático junto aos países para selecionar um conjunto de ações para uma plataforma de trabalho, aponta a título sugestivo, alguns pontos a considerar:

* elevar o grau de legitimidade política do PLACEA na América Latina e Caribe e nas demais regiões do planeta;

* elevar o grau de institucionalização do PLACEA em cada país, incluindo o estímulo à participação dos Ministérios de Educação e a criação de um índice de institucionalização da educação ambiental na América Latina e Caribe;

* organizar o funcionamento do PLACEA e de suas instâncias de execução;

* rever as atividades indicadas para as várias instâncias do PLACEA no documento base e nos encaminhamentos da 1ª e 2ª reuniões;

* fortalecer e potencializar as redes de diálogo entre educadores ambientais da região;

* atualizar o exame sobre o estado da arte da educação ambiental nos países da região;

* articular iniciativas sub-regionais e projetos bilaterais e multilaterais na região;

* articular e concertar em âmbito regional a implementação crítica da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, de acordo com a identidade latino-americana da educação ambiental;

* participar das instâncias decisórias sobre políticas e programas internacionais em educação ambiental representando a região latino-americana e caribenha.

O Governo brasileiro, representado pela Ministra de Estado de Meio Ambiente, apresentará a presente proposta para apreciação no Foro de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe, em sua XVI Reunião, para que seja possível dar continuidade ao PLACEA no esforço compartilhado para sua implementação como instrumento de cooperação, integração e fortalecimento regional.

Gostaríamos de conhecer a opinião e posição dos educadores e educadoras ambientais latino-americanos(as) e caribenhos a respeito desta proposição. Aproveitamos a oportunidade para solicitar-lhes que dialoguem com os representantes do Ministério de Meio Ambiente de seu país que participarão da XVI Reunião do Foro de Ministros de Meio Ambiente no sentido de apoiarem o debate e a revitalização do PLACEA.

Saludos,

MARCOS SORRENTINO
DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE DO BRASIL


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11 ene 2008

Ahmadabad – La pelota pica y se extiende (días 20 y 21 de diciembre)

No se asusten con la metáfora beisbolera que sólo desea indicar que los acontecimientos previos no se detuvieron sino que tuvieron consecuencias, ya que justo antes del receso navideño tuvimos dos mensajes muy importantes: El día 20 escribió María Dolores Boada desde Ecuador y el 21 Marcos Sorrentino desde Brasil.
Este último miembro de la delegación latinoamericana más importante en Ahmadabad, envío anexo un muy importante informe con nombre de cuento de las Mil y Una Noches (Relatos de Ahmadabad) el cual le da una perspectiva crítica hacia la región y realiza muy importantes propuestas.

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El día 20 María Dolores Boada desde Ecuador comentó:

Estimado Alejandro, gracias por la información compartida, coincido en la necesidad de una mejor organización de los educadores ambientales en Iberoamérica, pero considero también que la institucionalidad de la educación ambiental para el desarrollo sostenible aún es incipiente, sobre todo por la falta de estabilidad de nuestros decisores políticos y la consecuente ausencia de políticas de Estado que trasciendan los períodos de gobierno. Creo que existen espacios adecuados para lograr el posicionamiento de la educación ambiental, como el Foro de Ministros del Ambiente, el Foro de Ministros de Educación, por ejemplo, los Organismos de Cooperación Iberoamericana, en los cuales muchas veces la educación ambiental ha sido tratada superficialmente, quizá por ser transversal.
Por otro lado siento que nosotros como funcionarios públicos o directivos de organismos no gubernamentales que promovemos la E:A, no siempre estamos en sintonía con las demandas de los educadores ambientales que trabajan diariamente en las aulas, en la comunidad, en los gobiernos locales, sería entonces deseable que la Red propuesta integre también a representantes de estos sectores.
Por último comparto el deseo de apoyar la continuidad del PLACEA y PANACEA, porque precisamente a través de estos programas podemos avanzar con propuestas y actividades que contribuyan al desarrollo de la educación ambiental en nuestros países
Reciba mis mejores deseos para usted y su familia en estas festividades navideñas y que el próximo año se plasmen tus sueños y aspiraciones.
María Dolores Boada

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El 21 recibimos el mensaje de Marcos Sorrentino

Estimados Germán, Javier e demais interlocutores por uma EA Ibero-latino-americana protagônica no panorama planetário,
encaminho-lhes em anexo o Relatório de Ahmedabad elaborado pela equipe do Órgão Gestor da EA no Brasil que esteve na Conferência.
Objetivamos contribuir para os debates suscitados pela correspondência de Javier e com as suas propostas, com as quais concordamos plenamente.
Definimos como prioritário o nosso envolvimento com esta questão e estamos dialogando com nossos dirigentes´para que esta temática se materialize em propostas concretas de compromissos dos Ministros de Meio Ambiete na Reunião do Foro de Ministros da AL e Caribe, a realizar-se em Santo Domingo, em janeiro/fevereiro próximo.
Com os nossos cumprimentos, um abraço a todos e os nossos melhores desejos de um feliz 2008

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Aqui voy a transcribir unos breves fragmentos del informe realizado por Marcos Sorrentino, Rachel Trajber y Daniela Ferraz. El informe completo usted lo podrá encontrar en: http://docs.google.com/Doc?id=dhpdq4bw_1g2ch9wc6

Participação iberoamericana, brasileira e da juventude
A participação iberoamericana na Conferência foi bastante tímida e dispersa, o que contribuiu para dar uma sensação de sermos considerados periféricos nas atividades. Foram 3 pessoas do México (Universidade), uma de Cuba (governo), 3 da Costa Rica (Universidade/ Carta da Terra), um da Espanha (Universidade). Dos países lusófonos, somente o Brasil participou com uma representação um pouco maior, com três representantes governamentais e um grupo de 4 pessoas ligadas à Carta da Terra.

Perspectivas e Encaminhamentos
Apesar das críticas de educadores(as) brasileiros(as) à tendência de mudança do vocábulo de educação ambiental para educação para o desenvolvimento sustentável - que tem se verificado a partir da Rio 92, indicado no capítulo 36 da Agenda 21, aparecendo novamente como recomendação da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável da ONU em 1996 e na Declaração de Thessalonik em 1997, esta proposta ganhou força pela recomendação da Conferencia de Johannesburgo (Rio + 10) para que a ONU oficializasse uma Década para os esforços educativos para o meio ambiente.
A posição do Governo brasileiro, representado pelo Órgão Gestor da PNEA, é a de aproveitar a oportunidade da instituição da Década pela ONU para fortalecer a perspectiva que vem sendo construída pela EA Latino-americana nos últimos 30 anos. O Órgão Gestor ressalta a identidade brasileira com a educação ambiental como instrumento para a transformação social e voltado para a formação de sociedades sustentáveis, conceito construído na I Jornada Internacional de Educação Ambiental, que culminou no Fórum Global de Ongs e Movimentos Sociais - evento paralelo a Rio 92, e consolidado no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (Anexo 3).

A resistência inicial de educadores e educadoras ambientais brasileiros(as) frente a Década, como pode ser exemplificado pelo Manifesto pela Educação Ambiental (Anexo 4), produzido durante o Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável em junho de 2005, sinaliza os aspectos controversos da Década e do próprio vocábulo “educação para o desenvolvimento sustentável” que devem ser problematizados e trabalhados criticamente. Um exemplo diz respeito ao conceito de desenvolvimento, que mesmo o adjetivo sustentável, não dá conta de qualificar totalmente. Apontar uma finalidade para a educação também pode ser delicado, ainda mais quando se trata de uma finalidade desenvolvimentista. Outra preocupação é uma apropriação do termo educação para o desenvolvimento sustentável por setores pouco comprometidos com o caráter crítico e emancipatório com que a educação ambiental é identificada no Brasil, comprometida com a prática político-pedagógica contra-hegemônica e com a transformação social.
Apesar das críticas e controvérsias relativas a instituição da Década e do vocábulo escolhido para ela, existem muitos aspectos positivos que merecem ser potencializados e oportunizados. A instituição da Década pode ser considerada uma conquista para o campo educativo, como um sinal de destaque e reconhecimento de seu papel social para o enfrentamento da problemática socioambiental. Além disso, a possibilidade de compromisso compartilhado na criação de um futuro sustentável, envolvendo a reflexão e a ação na mudança de valores e comportamentos tanto no nível individual e coletivo como na esfera pública e privada. Estes aspectos são enfatizados no “Plano de Implementação Internacional” da Década (“International Implementation Scheme”), que foi elaborado por um grupo de parceiros das Nações Unidas, disponibilizado para consulta pública no final de 2003 e lançado em 2005. Este Plano indica uma ampla gama de possibilidades para a contribuição de parceiros para a implementação da Década, a partir de seus contextos particulares.
Outro aspecto positivo da Década é a relação com outras iniciativas internacionais, como por exemplo os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o movimento Educação para Todos e a Década das Nações Unidas da Alfabetização, com os quais compartilha alguns objetivos gerais, como a melhoria da qualidade de vida, principalmente para os mais pobres e marginalizados, bem como o alcance pleno dos direitos humanos, incluindo igualdade de gênero, redução da pobreza, democracia e cidadania ativa. Todos esses objetivos e diretrizes foram contextualizados, na fala dos palestrantes da Conferência, segundo a perspectiva de ação urgente frente ao aquecimento global progressivo. A convocação para ação foi a tônica constante da Conferência, como pode ser visto na Declaração de Ahmedabad (Anexo 1) e nas recomendações produzidas pelos Grupos de Trabalho.

Nesse sentido, o Órgão Gestor avaliou, com o seu Comitê Assessor, que uma das ações prioritárias para a implementação da Década no Brasil, que passa pela interlocução com toda a bagagem e identidade do campo da educação ambiental, é a constituição do Comitê Nacional da Década, a exemplo do que já acontece em outros países. Esse Comitê terá a função de planejar, articular e implementar ações vinculadas a Década, segundo o Plano Internacional e a Estratégia Regional Latino-americana. Além disso, o Comitê fará a interlocução com os demais Comitês Nacionais e com a Coordenação Geral da Década, junto a UNESCO.

Integração Latino-americana e Lusófona
A participação tanto Ibero-Americana, como de representantes da América Latina foi substancialmente pequena. Dentre os participantes brasileiros estavam Rachel Trajber (CGEA/MEC), Marcos Sorrentino (DEA/MMA), Daniela Ferraz (DEA/MMA), Moacir Gadotti (FEUSP, Instituto Paulo Freire, membro do Comitê Consultor da Conferência), Oscar Motomura (Instituto Amana-Key), Vitor Motomura (Instituto Amana-Key), Gabriela Monteiro (Iniciativa Jovem da Carta da Terra e também da Estratégia Juvenil TUNZA). Dos outros países dessas regiões havia representantes do México, de Cuba, da Costa Rica, da República Dominicana e da Espanha.
Esse cenário de fragilidade na participação Latino-americana em instâncias internacionais referentes a Década, bem como a tendência do Brasil assumir um papel progressivamente mais importante no protagonismo regional, por meio da integração política, geográfica e cultural na América Latina, inspira o Órgão Gestor a colocar a articulação regional como uma das estratégias prioritárias para a inserção brasileira no cenário internacional. Essa articulação passa pela reativação do Programa Latino-americano e Caribenho de Educação Ambiental-PLACEA.

Considerações Finais
Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável - para ambientalistas e educadores(as) ambientais de todo Planeta, ela não começou com a deliberação das Nações Unidas em 2002 e nem vai apenas de 2005 a 2014, pois esta luta remonta, na história da humanidade a todos os momentos onde questionou-se a degradação das condições ambientais e sociais de existência de vida e buscou-se caminhos educacionais para construção de alternativas sustentáveis de melhoria de qualidade de vida e de manutenção de condições de existência para as gerações futuras e para as demais espécies; remonta também, na história individual, aos momentos nos quais questionamos as obviedade do modo de produção e consumo e as nossas necessidades materiais simbólicas, buscando conhecimentos e comportamentos que nos tornam mais felizes de forma solidária, sincrônica e diacrônica, com toda a humanidade, seres vivos e sistemas naturais;
Ela também, não significa lidarmos apenas com a questão do desenvolvimento hegemonicamente capitalista e predador das sociedades atuais, organizadas em aproximadamente 200 Estados Nacionais. Assim como a questão ambiental e os desafios educacionais a ela associados não iniciam-se com a Década, esse momento é datado historicamente e deve significar um passo a mais na caminhada para a construção de Sociedades Sustentáveis.
Não é mais hora de ficar polarizando entre os conceitos da EA e EDS. Assim como no final dos anos 80 no início dos 90 tivemos que acolher os recém chegados ao ambientalismo, com suas propostas de reformas e aprimoramento no atual modo de produção e consumo, rotulando-as como “desenvolvimento sustentável” agora precisamos também acolher o discurso de uma educação para o desenvolvimento sustentável sem perdermos porém a radicalidade da compreensão que se reafirmou nestes últimos 20 anos - reformas superficiais não bastam! Acolher sim, os recém chegados e todos os simpatizantes que procuram a sustentabilidade de vida no Planeta, mas propiciar-lhes a compreensão e aprendizado sobre a profundidade e urgência das mudanças/transformações que são necessárias.
As mudanças que precisam ser feitas são processuais, com todos e radicais.
Quem traz os melhores e mais fortes indícios da essencialidade da radicalidade das transformações é o próprio clima.
É uma radicalidade pacífica! Exige o engajamento de corpo e alma de cada um e de cada sociedade. Exige questionarmos os conceitos de felicidade e utopia que pautam nossas vidas. É pacífica e democrática porque é diversa e não totalitária.
Ser processual, gradativa e com todos, não significa que possa ser demorada e que não tenha ideologia. É um Manifesto humanista e socialista contra a ganância e o enriquecimento à custa da exploração dos seres humanos e da natureza.

Sobre o pragamatismo na EDS:
Como sermos pragmáticos, sem abrir mão dos objetivos, conceitos, fundamentação e filosofia de uma EA comprometida com a emancipação humana, com a interpretação crítica da realidade, com o diálogo e com a diversidade de leituras e propostas de soluções?
Como ser pragmático, no sentido de acolher os recém chegados, construir alianças, enfrentar os desafios comuns, mas sem omitir as divergências, sem se deixar cooptar, sem ser engolido por discursos comprometidos com mudanças sem transformações, com a sobrevivência sem a melhoria da qualidade de vida de todos, com adaptação e mitigação do aquecimento global, mas não com a superação de suas causas estruturais no atual modo de produção e consumo?